Texto de Antonio Carlos Popinhaki
Pedro Estellita Carneiro Lins nasceu por volta de 2 de fevereiro de 1860, no Recife, em Pernambuco. Filho de uma família tradicional, destacou-se desde cedo por sua inteligência e dedicação aos estudos. Formou-se bacharel em Direito e, ainda jovem, atuou como professor e diretor de colégio no Recife, onde começou a construir uma sólida reputação no campo da educação e do direito.
Sua carreira na magistratura ganhou novos contornos quando foi designado para atuar no estado de Santa Catarina. Em 12 de setembro de 1904, foi nomeado, por ato oficial, para exercer o cargo de juiz na Comarca de Curitibanos, uma região então em desenvolvimento no planalto catarinense. Assumiu efetivamente o cargo em 28 de setembro de 1904, passando a responder pelos trabalhos judiciais da comarca.
No entanto, sua saúde começou a apresentar problemas logo no início de sua gestão. Em 19 de janeiro de 1905, entrou em gozo de licença remunerada, e em 14 de abril de 1905, foram-lhe concedidos mais 30 dias de licença para tratamento de saúde. Após esse período, reassumiu o cargo em 15 de maio de 1905, com o término da licença.
Continuou atuando em Curitibanos por alguns meses, mas em 24 de novembro de 1905 voltou a entrar em gozo de licença remunerada. Diante das dificuldades pessoais ou de saúde, solicitou sua remoção. Em 6 de setembro de 1906, foi removido da Comarca de Curitibanos a seu pedido, sendo transferido para São Joaquim da Costa da Serra.
Posteriormente, atuou como juiz seccional, juiz de direito e, em julho de 1919, foi nomeado Chefe de Polícia do Estado de Santa Catarina. Nessa função, realizou viagens a Florianópolis e a outras cidades catarinenses, sempre com olhar atento às questões educacionais e sociais.
No Rio de Janeiro, abriu um escritório de advocacia e continuou a atuar como magistrado em disponibilidade, sendo reconhecido como um jurista competente e respeitado. Em 1920, sua trajetória foi destacada na imprensa nacional, como no jornal “A Nação”, que o descreveu como um indivíduo “operoso e inteligente”, que se recomendava à estima dos patrícios por sua conduta íntegra e dedicada.
Além de sua atuação jurídica, Pedro envolveu-se em iniciativas sociais e cooperativistas. Foi organizador da “Empresa Protetora do Industrialismo e Operariado”, no Rio de Janeiro, uma instituição voltada à proteção dos trabalhadores e à harmonia entre capital e trabalho, demonstrando sua visão progressista e compromisso com questões sociais.
Casou-se com Francisca Luísa da Silva Sampaio em 10 de dezembro de 1887, na Igreja Madre Mãe de Deus, no Recife. O casal teve diversos filhos, e a família Estellita Lins tornou-se conhecida por sua notável contribuição nas áreas do Direito, Medicina, Educação e Letras, consolidando um verdadeiro legado intelectual e profissional.
Pedro Estellita Carneiro Lins faleceu no Rio de Janeiro em 13 de setembro de 1952, aos 92 anos, deixando uma memória de dedicação à justiça, à educação e à família.
Referências para o texto:
Informações digitalizadas do acervo do Museu Histórico Antonio Granemann de Souza de Curitibanos, Santa Catarina
