Texto de Antonio Carlos Popinhaki
David Antonio dos Santos Maciel nasceu por volta de 1869 e faleceu em 29 de março de 1923, na cidade de Curitibanos, Santa Catarina. Filho de Antonio Ferreira Maciel e Luiza Maria dos Santos, casou-se com Maria Bernardina dos Santos em 24 de julho de 1888, na localidade de Santo Antônio, São João, na Lapa, Paraná. O casal tornou-se uma figura conhecida na região, sendo lembrado como o “Casal David e Bernardina Maciel - os 1.ºs padeiros de Curitibanos”, conforme registrado em uma fotografia de 9 de novembro de 1922, parte do acervo iconográfico do Museu Histórico Antonio Granemann de Souza.
David exerceu a profissão de padeiro, mantendo uma padaria tradicional na cidade. Nela, comercializava pães, bolachas, pés-de-moleque e outros doces e guloseimas, que eram pagos com vinténs, a moeda corrente da época. Sua atividade comercial o tornou uma personalidade local bem conhecida, o que, mais tarde, lhe renderia um papel de destaque em um dos episódios mais conturbados da história da região: a Guerra do Contestado.
Durante o conflito que ocorreu entre 1912 e 1916, envolvendo disputas territoriais entre os estados do Paraná e Santa Catarina, David Maciel foi recrutado para atuar como chefe de um dos chamados “piquetes civis”. Esses grupos eram formados por homens armados da própria região, que prestavam auxílio às forças legais do Exército Brasileiro. Sob autorização do comando militar, David ficou encarregado de liderar um desses piquetes para o serviço permanente na vila de Curitibanos, atuando ao lado das tropas de ocupação do 58.º Batalhão Provisório de Caçadores e ajudando na vigilância e manutenção da ordem local.
Sua atuação como chefe de piquete demonstra como a população civil foi mobilizada e integrada ao esforço de guerra, muitas vezes por interesses próprios ou por necessidade econômica. Os vaqueanos, como eram chamados os integrantes desses grupos, recebiam pagamento diário e desempenhavam funções de patrulhamento e defesa. A escolha de David para essa função evidencia a confiança que as autoridades militares depositavam nele, dada sua posição social e seu conhecimento da região.
Após o fim da Guerra do Contestado, em 1916, David retornou à vida civil, mas seu falecimento ocorreu poucos anos depois, em 29 de março de 1923, em Curitibanos, aos 54 anos de idade. Seu registro de óbito foi oficialmente registrado no cartório local, sob o número 86, confirmando sua morte naquela cidade. A memória de David Antonio dos Santos Maciel permanece viva como a de um padeiro que se tornou chefe de piquete, representando a interseção entre a vida cotidiana e os momentos críticos da história regional.
Referências para o texto:
ASSUMPÇÃO, Herculano Teixeira de. A Campanha do Contestado. v. I e II. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1917 e 1918.
FamilySearch (2026). David Antonio dos Santos Maciel, "Brasil Casamentos, 1730-1955". Base de dados online. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/1:1:V2KQ-LZM. Acesso em: 21 de agosto de 2026. — Informações fornecidas: nome completo, data e local do casamento (24 de julho de 1888, Lapa/PR), nomes dos pais (Antonio Ferreira Maciel e Luiza M. dos Santos) e dos sogros (Victorino dos Santos e Joaquina Maria do Nascimento).
FamilySearch (2026). David Maciel, "Brasil, Santa Catarina, Registro Civil, 1850-1999". Base de dados online. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/1:1:6FX6-QM7R. Acesso em: 21 de agosto de 2026. — Informações fornecidas: data do falecimento (29 de março de 1923), local (Curitibanos/SC), idade (54 anos), número do certificado (86) e nomes dos pais.
FamilySearch (2026). Árvore familiar de David Antonio dos Santos Maciel (ID: 9NVT-THV). Base de dados online. Disponível em: https://www.familysearch.org/tree/person/details/9NVT-THV. Acesso em: 21 de agosto de 2026. — Informações fornecidas: dados vitais (nascimento aprox. 1869, falecimento em 1923), lista de cônjuges, filhos e irmãos.
Fotografia: acervo iconográfico do Museu Histórico Antonio Granemann de Souza, melhorada com Inteligência Artificial.
Reminiscências. David dos Santos Maciel e sua padaria. Antonio Carlos Popinhaki. Disponível em: https://antoniocarlospopinhaki.blogspot.com/2021/01/reminiscencias.html. Acesso em: 21 de agosto de 2026. — Informações fornecidas: confirmação da profissão de padeiro, descrição dos produtos vendidos (pães, bolachas, pés-de-moleque, doces) e da forma de pagamento (vinténs).
Jornal A Semana (Curitibanos/SC). Sebastião Calomeno - História Regional. Disponível em: https://asemanacuritibanos.com.br/opiniao/historia-regional/sebastiao-calomeno/. Acesso em: 21 de agosto de 2026.
