sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Loyde Ignes Zilio Scolaro



Texto de Antonio Carlos Popinhaki


Loyde Ignes Zilio Scolaro nasceu em 27 de maio de 1936, em Sertão, no interior do Rio Grande do Sul, filha de imigrantes italianos Moisés Zilio e Ignes Zilio. Sua infância foi marcada pela simplicidade e pelo trabalho na agricultura ao lado dos pais, em uma época difícil. Apesar da rotina pesada na roça, Loyde era uma aluna dedicada e caminhava quilômetros diariamente para estudar, levando leite para as freiras que administravam o colégio onde estudava, como forma de pagamento pelos estudos. Desde cedo cultivou o amor pela leitura, hábito que manteve por toda a vida, além de aprender com a avó os saberes tradicionais sobre cuidados com crianças doentes, remédios caseiros e a culinária italiana.

Aos 20 anos, ainda solteira, aceitou o convite do irmão para trabalhar em Santa Catarina, na localidade de Três Serrarias (hoje, interior de Brunópolis). A mudança, no final de 1956, representou uma virada em sua trajetória. Na serraria onde trabalhava no setor de reaproveitamento de madeiras serradas, conheceu Ucride Scolaro durante um campeonato de futebol, em janeiro de 1957. Noivaram em maio e casaram-se em 20 de julho daquele ano, em Curitibanos, na Igreja Imaculada Conceição, durante uma nevasca histórica. A cerimônia foi realizada por Frei Narciso Pollmeier. A união durou 61 anos.

Após 12 anos de casados, o casal fixou residência em Curitibanos, primeiro no bairro Água Santa e depois no bairro Nossa Senhora Aparecida, onde viveu por 49 anos. Loyde dedicou-se integralmente à família, criando e educando seus sete filhos: Lourdes, Celestino, Américo, Moisés, Jorge, Miguel e Angelo. Mais tarde, a família cresceu com 17 netos e 12 bisnetos.

Além das tarefas domésticas, Loyde desempenhou múltiplas atividades: foi merendeira e faxineira na escola local, costureira, vendedora de produtos Avon e Hermes, e sempre manteve as portas de casa abertas para quem precisasse de ajuda, acolhendo centenas de mães e crianças, muitas vezes enfermas. Mesmo após sofrer um AVC aos 64 anos, que lhe causou perda parcial de mobilidade, continuou seu trabalho social, lia, pintava e bordava enquanto pôde. Era o elo que unia a família, promovia encontros aos finais de semana e mantinha viva a tradição da culinária italiana.

Loyde também foi uma mulher à frente de seu tempo: acreditava no poder do voto feminino, exercia seu direito cívico com orgulho e incentivava netas e outras mulheres a buscar independência e estudo, sempre valorizando as origens e a igualdade. Tinha orgulho de ter construído raízes em Curitibanos, cidade que adotou como sua.

Faleceu em 15 de dezembro de 2018, aos 82 anos, na Fundação Hospitalar de Curitibanos, vítima de choque séptico decorrente de pancreatite aguda. Seu sepultamento ocorreu no dia seguinte, no Cemitério Municipal São Francisco de Assis. Em sua homenagem, foi proposta e aprovada a Lei n.º 6.394/2020, que denominou “Rua Loyde Ignes Zilio Scolaro” uma via no Loteamento Municipal Santa Felicidade. Em 2025, nova lei (n.º 7.286/2025) revogou a anterior e atribuiu seu nome a uma rua no Loteamento Boa Vista II, perpetuando sua memória na cidade que tanto amou. Seu exemplo de tolerância, paciência, generosidade e luta permanece vivo entre familiares e na comunidade.


Referências para o texto:


Certidão de Óbito de Loyde Ignes Zilio Scolaro


Curitibanos — Lei Ordinária Municipal n.º 6.394/2025.


Curitibanos — Lei Ordinária Municipal n.º 7.286/2025.


Histórico fornecido pela Câmara Municipal de Vereadores de Curitibanos

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