quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Pedro Kobal



Texto de Antonio Carlos Popinhaki

Pedro Kobal, conhecido pela alcunha de “Pedro Manco”, nasceu em 10 de outubro de 1914 em Blumenau, Santa Catarina e faleceu em 30 de outubro de 1988, na cidade de Curitibanos, Santa Catarina. Seu óbito foi registrado sob a causa da morte: Anoxia. Insuficiência Cardíaca Congênita e Hipertensão arterial. O médico que atestou foi o Doutor Benito Rohden Moraes. Após o velório, seu corpo foi sepultado no Cemitério Público Municipal São Francisco de Assis da mesma cidade, inicialmente em um túmulo sem identificação, como se fosse um indigente, depois, mantido por pessoas que o conheceram e o queriam bem.

Ao longo de sua vida, Pedro Kobal deixou uma marca significativa na comunidade curitibanense. Trabalhou como pedreiro na construção de importantes obras públicas, como a Igreja Matriz, o Colégio Santa Teresinha e o Grupo Escolar Arcipreste Paiva. Em 1958, aceitou o convite do senhor Nelson Sbravatti para tornar-se caseiro de uma fazenda, função que desempenhou por muitos anos e que consolidou sua presença no cotidiano e na memória afetiva da região.

Sua figura era familiar e pitoresca. Carregava o apelido de “Pedro Manco” devido a uma fratura na perna sofrida ainda na infância, e não por causa de picada de cobra, como alguns supunham. Era conhecido na região por manter um viveiro de cobras, chegando a guardar uma delas dentro de uma lata, fato que despertava a curiosidade principalmente das crianças que o visitavam. Sua ligação com a natureza era tão marcante que, na fazenda onde trabalhava e vivia como caseiro, o Rio Marombas banhava a propriedade com suas águas rasas. A Prefeitura Municipal de Curitibanos transformou esse trecho do rio em um ponto de lazer, muito frequentado não apenas pela população local, mas também por visitantes de diversas cidades e até de lugares distantes. Popularmente, o local ficou conhecido como “Praia do Pedro Manco”, nome que se consolidou após sucessivas cargas de areia despejadas ali pela prefeitura para recreação pública entre as décadas de 1970 e 1990. Em sua primeira gestão, o prefeito Generino Fontana construiu uma ponte para pedestres. Infelizmente, fortes chuvas provocaram a cheia do rio, e a ponte foi arrastada e destruída pela força das águas.

Apesar de ter participado ativamente da história e do folclore de Curitibanos, Pedro Kobal partiu de forma discreta e seu túmulo permaneceu sem identificação por um tempo. Anos depois, essa ausência foi reparada por iniciativa de membros da comunidade, que, em um gesto de reconhecimento e respeito, providenciaram uma cruz e a devida identificação para sua última morada. Assim, a memória de Pedro Manco, o pedreiro, o caseiro, o homem simples e singular que cativou gerações, permanece viva como parte do patrimônio humano e cultural da cidade.

O pesquisador regional Sebastião Luiz Alves defendeu no ano de 2019, publicamente, a necessidade de reconhecimento oficial a Pedro Kobal pelos vereadores de Curitibanos. Sua pretensão era que o poder público, representado na Câmara Municipal, concedesse uma homenagem formal a essa figura histórica da cidade, cuja trajetória de vida e contribuição ao folclore e ao desenvolvimento local já eram valorizadas pela comunidade. O apelo, feito em uma rede social, recebeu imediato apoio de outros cidadãos, que consideraram a causa justa, houve também críticas pela demora e a injustiça de ver outras pessoas menos relevantes sendo homenageadas antes dele. O sentimento geral, expresso em comentários, era de que Pedro Kobal, pela sua humildade e legado, “merecia mesmo ser homenageado”, com um apelo direto aos edis para que transformassem esse reconhecimento popular em um ato oficial e simbólico do município.

 

Referências para o texto:

Portal FamilySearch. On-line, disponível em: www.familysearch.org 

ALVES, Sebastião Luiz. Postagem da fotografia e apelo para que Pedro Kobal fosse homenageado pelo poder público.

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