quarta-feira, 15 de abril de 2026

Alfredo Felippe da Luz

Texto de Antonio Carlos Popinhaki


Natural de uma das mais tradicionais famílias políticas de Santa Catarina, Alfredo Felippe da Luz nasceu em 13 de agosto de 1888 em Desterro, atualmente Florianópolis. Era filho do engenheiro e político Hercílio Pedro da Luz, três vezes presidente (governador) do estado e senador da República, e de Etelvina Cezarina Ferreira. A vocação para a vida pública era uma herança familiar: seu avô materno, Joaquim Xavier Neves, foi militar, fazendeiro e deputado provincial, enquanto seus irmãos Abelardo Wenceslau da Luz e Carmem Maria Ferreira da Luz também seguiram carreiras políticas, ele como deputado e prefeito de Florianópolis, e ela casada com o deputado estadual Joe Collaço.

Sua formação acadêmica começou no Colégio Duarte, em Florianópolis, onde já em 1896, aos oito anos, constava em listas de avaliação escolar. Em 1905, prestou exames preparatórios para o curso de Direito, sendo aprovado em disciplinas como Latim, Inglês, História Universal, Aritmética, Álgebra, Geometria, Física e História Natural. Iniciou o curso de Direito em São Paulo e concluiu-o no Rio de Janeiro em 1910. Durante a graduação, revelou seu interesse pela literatura ao escrever artigos sobre o poeta Cruz e Souza para a Gazeta Catarinense, em janeiro de 1908, sinalizando uma ligação que o acompanharia pelo resto da vida.

A carreira jurídica de Alfredo Felippe da Luz foi marcada pela ascensão na magistratura catarinense. Em 1920, ainda antes de se dedicar integralmente à função judicante, elegeu-se deputado estadual pelo Partido Republicano Catarinense (PRC), obtendo 2.082 votos em junho daquele ano para preencher a vaga aberta pela renúncia de Cid Campos. Tomou posse em 1921, integrando a 10ª Legislatura da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (1919-1921). Após sua passagem pelo parlamento, exerceu a advocacia em Blumenau por alguns anos, até ser nomeado juiz de direito.

Sua nomeação para a magistratura ocorreu em 5 de março de 1923, pela Resolução n.º 3.464, com base em lista tríplice elaborada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, para assumir a comarca de Curitibanos. Assumiu o cargo em 16 de abril de 1923, mas já em 2 de maio entrou em gozo de licença de 30 dias. Pouco tempo depois, em 17 de agosto do mesmo ano, pela Resolução n.º 3.643, foi declarado "avulso" — isto é, desvinculado de uma comarca específica e colocado à disposição do tribunal, nos termos da legislação então vigente. Consta em listas de antiguidade da magistratura catarinense de 1928 e 1929, figurando na comarca de Curitibanos como juiz de primeira entrância.

Paralelamente à carreira jurídica e política, Alfredo também ingressou na carreira diplomática, tornando-se funcionário do Itamaraty. Atuou em diversas embaixadas brasileiras, inclusive em Londres, onde chegou ao posto de Secretário. Sua atuação não se limitou, porém, aos cargos públicos: foi membro fundador da Academia Catarinense de Letras, ocupando a Cadeira número 3, e dedicou-se a incentivar homenagens a Cruz e Souza, como a colocação de uma herma (busto) em memória do poeta.

Casou-se com uma dinamarquesa e não teve filhos. Faleceu em 19 de abril de 1944, aos 56 anos, na cidade do Rio de Janeiro, encerrando uma trajetória que combinou de forma singular a magistratura, a política parlamentar, a diplomacia e as letras em Santa Catarina.



Fontes consultadas:


FamilySearch; Memória Política de Santa Catarina/ALESC; Arquivo Público de Santa Catarina; Dicionário de Assentamentos da SINTJ; Jornais "O Dia" e "República" (Acervo da Biblioteca Pública de SC).


PIAZZA, Walter: Dicionário Político Catarinense. Florianópolis : Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1985.


PIAZZA, Walter: O Poder Legislativo Catarinense: das suas raízes aos nossos dias (1834 - 1984). Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1984.

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