sexta-feira, 29 de maio de 2026

Bernardina Maria Barbosa


Texto de Antonio Carlos Popinhaki

 

Bernardina Maria Barbosa nasceu em 7 de dezembro de 1933 no município de Curitibanos, interior de Santa Catarina. Era filha de Luiz Domingues Barbosa e Edautina Maria dos Santos, tendo como irmãos Maria de Lurdes Barbosa, Benvinda Barbosa, Sebastião Barbosa e Maria Rosa Barbosa. Sua infância, vivida em Curitibanos, foi descrita como “boa, normal, com muito respeito com os pais”, num tempo em que a obediência aos mais velhos era tida como valor fundamental. Desde pequena, seu principal interesse era estudar, e sua primeira escola frequentada ficou na localidade conhecida como Balsa, na região dos Cabaçais, interior de Curitibanos. Estudou também com as irmãs da Sagrada Família, no Grupo Escolar Arcipreste Paiva. A relação com a família era excelente, e as pessoas mais influentes em sua juventude foram tias, primos, primas e amigas, pois ela era “muito amiga de todas, comunicativa e gostava de conversar”.

Bernardina conheceu seu futuro marido, Pedro Barbosa de Souza, por intermédio dos pais, que eram próximos e parentes. Ele morava no sítio, ela na cidade. Casaram-se no dia 18 de dezembro de 1975 e viveram juntos “com muita dignidade e respeito”, até a morte dele. Viúva, nunca mais se casou. Do casamento nasceram sete filhos: Dalnira Maria de Souza, Valdenir Barbosa de Souza, Dejair Barbosa de Souza, Aldair Barbosa de Souza, Valni Maria de Souza, Valter Barbosa de Souza e Angela Maria de Souza.

Sua trajetória profissional no magistério teve início em 18 de fevereiro de 1959, quando foi admitida no serviço público municipal de Curitibanos, como “professora não titulada”, denominação comum à época para docentes sem formação superior, mas com prática e cursos de aperfeiçoamento. Ela mesma relatou que fez “vários cursos, todos os que precisava para se aprimorar na profissão, até cursos catequéticos preparatórios para a comunhão de seus alunos”, participando também de grupos de oração.

Ao longo das décadas seguintes, Bernardina foi transferida diversas vezes entre escolas da zona rural, atendendo localidades como Tabuleiro (Escola Municipal José Maciel), Taquaruçu de Baixo, no Passo da Raiz (Escola Vereador Pedro Paulo Pereira), Tabajara (Escola Municipal de Tabajara), Cabaçais (Escola da Balsa que dá acesso à localidade de Vila Santa Catarina, município de São José do Cerrito). Um momento de grande reconhecimento em sua carreira ocorreu quando o prefeito mandou construir uma escola no terreno de Bernardina para que ela pudesse lecionar no local. Essa escola estava localizada a cerca de 4 quilômetros do distrito de Santa Cruz do Pery, “pra ela foi muita alegria e se sentiu reconhecida e premiada como uma pessoa muito especial e importante”.

Ao longo de sua carreira, usufruiu de licenças e benefícios previstos em lei. Em setembro de 1972, obteve licença de 90 dias. Em fevereiro de 1973, requereu licença-prêmio de seis meses, usufruindo três meses naquele ano e deixando o saldo restante para data posterior, o que viria a ser solicitado novamente em agosto de 1978 referente ao período de 1959 a 1969. Em setembro de 1973, passou a receber adicional de 10% sobre os vencimentos por ter completado 14 anos de serviço. Além do magistério, Bernardina trabalhou de 5 de junho de 1973 a março de 1977 no Museu Histórico Antônio Granemann de Souza, na época da administração de Maria Batista Nercolini, onde recebia visitantes e fazia anotações diárias; depois, atuou no escritório da Distribuição da Merenda Escolar de Curitibanos e, nos primeiros anos da década de 1980, na Biblioteca Pública Municipal Edgard Pedreira de Curitibanos.

Os desafios enfrentados por Bernardina foram muitos, especialmente por ser mãe de sete filhos e residir na zona rural. Sua filha Dalnira descreveu: “Muitas dificuldades, com muita força de vencer, muito interesse. Na época, muita necessidade de ganhar para o sustento de seus filhos. Batalhadora, pontual em seu trabalho. Professora excelente, competente, querida por todos, até hoje admirada por seus alunos e pais deles”. As maiores dificuldades eram deixar os filhos pequenos para fazer cursos na cidade, sentindo saudades e preocupações. As viagens eram precárias: “vinha do sítio até a cidade de carona, não tinha ônibus, muitos medos; as caronas iam só até a metade do caminho, medo de pessoas mal-intencionadas”. O momento mais marcante de sua vida, talvez tenha sido a morte de sua filha aos 15 anos por paralisia. Essa situação levou Bernardina à depressão, forçando a família a mudar-se da Escola da Balsa para a localidade do Tabuleiro, depois para Taquaruçu de Baixo e, finalmente, para Curitibanos.

Sua remuneração evoluiu ao longo dos anos 1970 e 1980, sempre com adicionais que variavam entre 15% e 20%. Apesar dos baixos valores nominais no início, Bernardina nunca pensou em desistir ou trocar de profissão. Em 17 de fevereiro de 1984, a Prefeitura Municipal de Curitibanos emitiu certidão atestando 25 anos de serviço (9.125 dias), sem interrupções ou penalidades, e ela acabou se aposentando no magistério, como sempre desejou.

Bernardina adorava escrever, fazer crochê, tendo produzido muitas peças para dona Maria Batista Nercolini. Guardava com carinho livros e cadernos do tempo em que lecionava, “nunca teve coragem de se desfazer”. Não gostava de música; o que marcou sua vida foram as missas de primeira comunhão, a catequese e as fotos com os alunos. Sua comida favorita era “todas, mas muito limpa e bem feita”. Como conselho deixado às futuras gerações, afirmou: “Sigam conselhos de seus pais, caminhos certos para evitar sofrimentos mais tarde. Sejam amigos de todas as pessoas boas, evitem más companhias, escolham seus amigos, sigam só amigos bons”.

Bernardina Maria Barbosa faleceu em 7 de janeiro de 2023, aos 89 anos, viúva, em seu domicílio na Rua Capitão Antônio José Pereira, n.º 687, bairro Bom Jesus, em Curitibanos. A causa da morte foi registrada como transtornos respiratórios, doença cardíaca e hipertensão arterial sistêmica. Foi sepultada no Cemitério Público Municipal São Francisco de Assis, na mesma cidade de Curitibanos. Ela desejava ser lembrada “com muita saudade e recordações”. Sua filha Dalnira Maria de Souza, ao organizar sua biografia em 23 de fevereiro de 2026, resumiu sua trajetória com estas palavras: “Faleceu com 89 anos, uma trajetória com muita coragem e dificuldades, mas venceu e conseguiu criar seus filhos e se aposentar por tempo de serviço”. Permanece, até hoje, na memória de seus alunos, familiares e da comunidade de Curitibanos, como exemplo de professora dedicada, mãe batalhadora e mulher de fibra.

 

 

Informações para a produção do texto:

 

Documentos da Prefeitura Municipal de Curitibanos

 

Informações Familiares

 

Fotografia: Aldair Barbosa de Souza

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