terça-feira, 26 de maio de 2026

José Simpliciano de Almeida


Texto de Antonio Carlos Popinhaki


José Simpliciano de Almeida, carinhosamente chamado de “Zezinho Almeida”, nasceu em 5 de janeiro de 1939, na cidade de Lages, em Santa Catarina. Era filho de Simpliciano Ferreira de Almeida e Leoni Varella de Almeida, ambos já falecidos, e teve uma infância marcada pela ausência paterna: seu pai morreu pouco mais de um ano após o casamento, antes mesmo de ele nascer, deixando sua mãe grávida para criá-lo sozinha. Ainda na primeira infância, mudou-se para Curitibanos, município que o acolheu e que se tornaria sua terra adotiva, palco de toda a sua trajetória pessoal, profissional e comunitária.

Sua formação educacional começou no Grupo Escolar Arcipreste Paiva, instituição que hoje corresponde à Escola de Educação Básica Santa Terezinha, na própria cidade de Curitibanos. Depois, seguiu seus estudos no Colégio Diocesano, em Lages, e posteriormente no Colégio Cruzeiro do Sul, em Porto Alegre, onde permaneceu por quatro anos, ampliando seus conhecimentos e visão de mundo. Aos 18 anos, foi emancipado por sua mãe, um passo que marcou o início de sua caminhada de independência e de dedicação constante ao bem-estar da comunidade onde vivia.

Em 19 de junho de 1962, concretizou uma das bases mais importantes de sua vida: o casamento com Carmen Konieczniak de Almeida, também registrada como Carmem Guimarães de Almeida. Dessa união, que se destacou pela solidez e respeito mútuo, nasceram três filhos: José Carlos de Almeida, que seguiu a carreira de engenheiro agrônomo; Jorge Luiz de Almeida, que se tornou advogado; e Maria Carolina de Almeida, que atuou como servidora pública municipal. Ao longo dos anos, também recebeu a alegria de ser avô de dois netos: Allan Felipe de Almeida Rotta e Thiago Henrique de Almeida Rotta. Para José Simpliciano, a família sempre foi um dos pilares centrais de sua existência, e esse vínculo foi frequentemente lembrado e elogiado em homenagens recebidas ao longo da vida.

Sua atuação profissional foi ampla, diversificada e sempre pautada pela seriedade e competência. Nas décadas de 1950 e 1960, dedicou treze anos de sua vida à função de escrivão do Cartório de Órfãos e Anexos, também conhecido como Cartório de Registro de Órfãos, Anexos e Provedoria, onde desenvolveu um trabalho reconhecido por sua qualidade e compromisso com as obrigações públicas. Além disso, atuou como agropecuarista em Curitibanos, sendo um dos pioneiros na mecanização das atividades rurais da região, uma contribuição fundamental para a modernização e o desenvolvimento do setor no município. Entre os anos de 1982 e 1983, assumiu também a direção-geral da Penitenciária da Região de Curitibanos, localizada no município de São Cristóvão do Sul, cargo no qual também deixou sua marca de responsabilidade e dedicação.

Mas sua contribuição não se limitou às funções profissionais: José Simpliciano foi uma figura central na vida comunitária, social e cultural de Curitibanos. Foi um dos fundadores do grupo de Alcoólicos Anônimos da cidade, uma iniciativa que ajudou inúmeras pessoas e suas famílias a enfrentarem desafios e reconstruírem suas vidas. Também fez parte da comissão que deu início à construção do Centro Comunitário Frei Eliseu Tambosi, espaço que se tornou essencial para a convivência, encontros e atividades da população local. Na área das tradições, foi patrão do primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG) de Curitibanos, e ainda integrou a seleção catarinense de laçadores, demonstrando seu profundo amor e respeito pelas raízes culturais do estado de Santa Catarina.

Por mais de sete décadas, ele acompanhou e participou ativamente das transformações profundas que moldaram Curitibanos. Em suas memórias, ele descrevia a cidade antiga como uma pequena vila, sem infraestrutura básica: não havia estradas pavimentadas, nem rede elétrica, e as ruas eram apenas “carreiros”, caminhos de terra por onde passavam carroças e cavaleiros. Naquela época, os alimentos vinham das propriedades rurais próximas ou eram transportados por cargueiros de mula, muitas vezes vindos de locais distantes como Blumenau. A população era pequena, e o movimento mais intenso só acontecia em datas festivas, quando cerca de 300 a 400 pessoas se reuniam. Ele foi testemunha de marcos históricos como a chegada da energia elétrica, a instalação do primeiro poste de iluminação pública e a circulação do primeiro automóvel na cidade, eventos que marcavam o início de uma nova etapa de desenvolvimento.

Em reconhecimento a toda essa trajetória e aos relevantes serviços prestados ao município, a Câmara Municipal de Vereadores de Curitibanos aprovou, por meio do Decreto Legislativo n.º 3/2022, de autoria do vereador Alain Agostini Antonio, a concessão do título de Cidadão Curitibanense. A homenagem foi entregue durante a 1.ª Sessão Solene de 2022, realizada no dia 29 de setembro daquele ano. Na ocasião, seu filho Jorge Luiz de Almeida apresentou detalhes de sua história de vida, enquanto o vereador autor da proposta destacou seu caráter firme, sua conduta ética e sua lealdade aos princípios sociais, chamando-o de uma das “colunas mestras” da sociedade local. O prefeito Kleberson Luciano Lima, por sua vez, ressaltou que a trajetória de José Simpliciano se confunde com a história moderna de Curitibanos, e que ele foi um dos pilares que ajudaram a construir a cidade desenvolvida e próspera que existe hoje. Ao usar a palavra na tribuna durante a solenidade, José fez um pedido simples e significativo: que os vereadores continuassem trabalhando sempre em prol do povo, para que o futuro da cidade fosse marcado por um legado de pessoas comprometidas com o bem-estar coletivo.

José Simpliciano de Almeida faleceu no dia 22 de maio de 2026, aos 87 anos de idade, deixando um vazio profundo na comunidade que ele ajudou a construir e a desenvolver. Seu corpo foi velado na Capela Mortuária da Funerária Nossa Senhora Aparecida, e o sepultamento ocorreu no dia seguinte, no Cemitério Municipal São Francisco de Assis de Curitibanos. Sua vida, guiada pela simplicidade que também está presente em seu nome, pelo trabalho árduo, pela dedicação à família e pelo amor à sua terra adotiva, permanece até hoje como um exemplo de retidão, cidadania e compromisso, uma referência valiosa para todas as gerações que vieram depois dele.



Informações para o texto:


Fotografia: Acervo da família, disponível na internet


1.ª Sessão Solene de 2022. On-line, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=SzKOlgFI1MU


Informações do óbito: Funerária Nossa Senhora Aparecida, on-line, disponível em: https://www.facebook.com/funeraria.nossasenhoraaparecida/posts/pfbid02sPMxjNWGsDorkweznBDKj8MoFjog4znSV1i96oZmPPQEbZ1B9PRW6pjToisVwSr5l


Título de Cidadão Curitibanense. Jornal A Semana. Curitibanos, SC, 23 de setembro de 2022. Edição n.º 2020, p. 8.

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