Texto de Antonio Carlos Popinhaki
Nerico Rodrigues dos Santos nasceu em 3 de setembro de 1933, em Curitibanos, no Planalto Serrano de Santa Catarina, sendo filho de Graciliano Alves dos Santos e Alvina Rodrigues dos Santos. Seu pai, Graciliano, era um tradicional tropeiro e criador de animais, nascido em 25 de março de 1908, vindo a falecer com 101 anos. Sua mãe, Alvina, alcançou a notável idade de 103 anos, falecendo em 26 de setembro de 2017. Nerico tinha como irmãos Nivaldo Rodrigues dos Santos e Nilza Rodrigues da Silva.
Residiu na localidade de Paiol Velho, no Campo da Roça, em uma região de sítio onde a vida no campo era a base da subsistência. Seu pai, Graciliano, era uma figura conhecida na região, tendo inclusive participado como acionista e subscritor de ações da sociedade Cine-Teatro Monte Castelo S.A., em 1948, na cidade de Curitibanos, conforme registros do Diário Oficial do Estado de Santa Catarina.
Nerico passou sua infância e juventude no ambiente rural, aprendendo desde cedo as lides do campo. Trabalhava na lavoura e acompanhava o pai Graciliano nas atividades de tropeirismo, uma profissão tradicional na região Sul do Brasil, que consistia em conduzir tropas de mulas e cavalos e rebanho de gado para comercialização. A família criava mulas, cavalos e outros animais, além de plantar milho e feijão para subsistência.
Sua educação formal foi limitada, pois estudou apenas o básico e foi alfabetizado em dois anos. Naquela época, o trabalho era prioridade, especialmente em famílias que viviam do campo. Nerico sempre foi muito saudável, sem registros de grandes dificuldades ou doenças em sua juventude. Ainda muito jovem, teve um casamento arranjado pelos pais, prática comum na época em comunidades rurais.
Sempre grato aos pais, especialmente ao senhor Graciliano, por ter-lhe ensinado os valores da honestidade e do trabalho, Nerico levou esses princípios por toda a sua vida.
Nerico nunca trabalhou como empregado para ninguém, sendo sempre proprietário de terras e trabalhando por conta própria. Sua atuação profissional esteve sempre ligada à pecuária e à agricultura, ofícios que aprendeu com seu pai. Ele se tornou pecuarista, seguindo a tradição familiar, e acumulou consideráveis extensões de terra: possuía mais de 100 alqueires na localidade do Paiol Velho e outros 150 alqueires distribuídos em várias localidades no interior de Curitibanos. A família foi criada na Fazenda Pocinho, também no interior do município.
Seu estilo de vida era simples e voltado para o campo. Como hobby, gostava de andar a cavalo pela fazenda e, inclusive, se deslocava a cavalo até a cidade de Curitibanos quando necessário. Era um homem controlado com as despesas e não costumava viajar, preferindo a segurança e a economia do ambiente rural.
Nerico foi casado duas vezes. Sua primeira esposa chamava-se Isabel Pereira dos Santos, com quem teve as filhas Beatriz Santos da Cruz e Teresinha Pereira dos Santos. Após ficar viúvo, casou com Elizabeth Herzog Rodrigues com quem teve a filha Carolina Rodrigues Herzog e Eduardo Herzog Rodrigues.
Os pais de Isabel chamavam-se Ernesto Pereira do Prado e Ambrozina Varela da Silva, enquanto a mãe de Elizabeth chamava-se Nilza Agostini.
Nerico valorizava imensamente o desenvolvimento dos filhos, sempre desejando que seguissem seu exemplo de trabalho e honestidade. Quando faleceu, deixou um pedaço da fazenda para cada filho, garantindo-lhes um futuro amparado.
No dia 20 e setembro de 2001, nas dependências da Câmara Municipal de Vereadores de Curitibanos, foi realizada uma Sessão Solene, atendendo ao predisposto do Decreto Legislativo n.º 22/2001, ocasião em que foram entregues a antigos tropeiros curitibanenses, Comendas do Mérito Curitibanense, dentre estes, estava o nome do senhor Nerico.
Nerico Rodrigues dos Santos faleceu em 18 de maio de 2014, aos 80 anos de idade, num dos leitos da Fundação Hospitalar de Curitibanos, localizada na Rua Altino Gonçalves de Farias, 1832, no Centro da cidade. A causa da morte foi registrada como disfunção de múltiplos órgãos e sistemas, trombose mesentérica, neoplasia de colo e hipertensão arterial sistêmica. Foi sepultado no Cemitério Público Municipal São Francisco de Assis, em Curitibanos.
Seu legado, entretanto, ultrapassou sua existência física. Em 2014, ainda no ano de seu falecimento, foi publicada a Lei Ordinária Municipal n.º 5.332, que denominou uma via pública em Curitibanos com o nome de “Rua Nerico Rodrigues dos Santos”. Anos depois, devido à necessidade de correção da localização da via, foi aprovada a Lei Ordinária n.º 7.108/2025, de 13 de fevereiro de 2025, alterando o artigo 1º da lei anterior para estabelecer o trecho correto: “com início ao Sul da rua Emiliano Alves Pereira seguindo sentido Sul, até encontrar a avenida Vereador Pedro Ronchi, seguindo paralelamente ao lado Oeste da avenida Salomão Carneiro de Almeida, no bairro Água Santa, no município de Curitibanos”.
O processo legislativo para essa alteração tramitou na Câmara Municipal de Vereadores de Curitibanos como Projeto de Lei Substitutivo n.º 7/2024, sendo aprovado por unanimidade em votação nominal realizada em 10 de fevereiro de 2025, com 11 votos favoráveis. A Comissão de Constituição e Justiça emitiu parecer favorável, atestando a possibilidade jurídica da medida.
Em 2025, também foi realizada uma homenagem póstuma na Câmara de Vereadores de Curitibanos, ocasião em que Graciliano e Nerico foram lembrados condecorados por sua trajetória como tropeiros antigos. A condecoração foi entregue aos familiares na atividade do dia do tropeiro. Durante o evento, a família dos homenageados foi agraciada com dois troféus que reconhecem o legado de ambos no tropeirismo.
Nerico era conhecido por sua simplicidade e pelos valores que cultivava. Católico praticante, sempre doava uma cabeça de gado para as festas da igreja, sendo considerado uma pessoa muito religiosa. Gostava de assistir ao Globo Rural aos domingos na televisão, programa que retratava a vida no campo, e apreciava dançar em bailes no interior, especialmente em casamentos e festas de igrejas.
Sua comida preferida era o revirado de feijão com ovo frito e torresmo, prato típico da culinária campeira. Apesar da longevidade dos pais, Nerico nunca falava em morte, inspirando-se no exemplo deles, que faleceram com mais de 100 anos. Seu maior conselho para os filhos e para as futuras gerações era serem sempre honestos.
Nerico Rodrigues dos Santos representa a figura do homem simples do campo, trabalhador, honesto e dedicado à família. Sua história se confunde com a própria história do tropeirismo e da colonização de Curitibanos, deixando um legado de valores e uma homenagem perene nas ruas da cidade que o viu nascer, viver e partir.
Referências para a produção do texto:
Certidão de óbito, emitido pelo Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais de Curitibanos
Curitibanos — Decreto Legislativo n.º 22/2001
Curitibanos — Projeto de Lei Substitutivo n.º 7/2024
Curitibanos — Lei Ordinária Municipal n.º 5.332
Curitibanos — Lei Ordinária n.º 7.108/2025
Fim de Semana. Jornal A Semana de 22 a 28 de março de 2008. Caderno especial
Fotografia: Acervo familiar
Informações de sua filha, Teresinha Pereira dos Santos
Santa Catarina — Diário Oficial do Estado de Santa Catarina, ano XV, edição n.º 3861. Florianópolis, 13 de janeiro de 1949, p. 5

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