Texto de Antonio Carlos Popinhaki
Adrialdo Camargo Popinhak, carinhosamente conhecido por amigos e familiares como “Ado”, nasceu em 29 de novembro de 1963, em Curitibanos, Santa Catarina. Filho do empresário e fazendeiro Antonio Popinhak e de Theresinha Camargo Popinhak, sua trajetória esteve profundamente ligada à história da família Popinhak na região, cujas raízes remontam à imigração ucraniana no final do século XIX. Na juventude, uniu-se a Ane Mary Lucilla Kastl, com quem teve dois filhos, Brahian e Brendon. Sua família foi o alicerce de sua vida pessoal e profissional. Adrialdo também teve outro filho, Morgan, fruto de um relacionamento anterior.
Quando criança, Ado era muito ativo e esperto, sempre rodeado de amigos da mesma idade. Tinha grande paixão pelo futebol, adorava percorrer as matas e as fazendas do pai, onde se divertia caçando e pegando passarinhos, além de gostar muito da pesca. O escritor curitibanense Antonio Carlos Popinhaki, primo de Adrialdo e autor deste texto, recorda uma experiência marcante que viveram juntos: uma pescaria no Rio Marombas, na Fazenda da Cadeia, onde passaram a noite acampados em barraca ao lado de outras pessoas, e conseguiram pescar muitos peixes.
Adrialdo também tinha talento especial para cuidar de animais: criava galinhas e galos da raça índia, conhecidos por serem mais magros, e canários belgas, espécie não nativa da região Sul do Brasil, que mantinha em cativeiro com todo cuidado, garantindo que botassem ovos, chocassem e criassem seus filhotes. Antonio Carlos lembra com carinho de uma ocasião em que recebeu do senhor Coelho, criador de pássaros de Curitibanos, um canário belga: Adrialdo propôs uma troca, oferecendo uma galinha e um galo índio em troca do exemplar, proposta aceita por Antonio. Além disso, adorava andar de bicicleta, sendo comum vê-lo percorrendo sozinho vários pontos da cidade com sua Monark modelo Monareta, sempre com disposição e alegria.
Com vocação empreendedora precoce, Ado iniciou sua vida profissional aos 14 anos, na empresa de seu pai, a madeireira “Antonio Popinhak — Indústria, Comércio e Beneficiamento de Madeiras”. Aos 17 anos, em 1980, deu um passo decisivo ao fundar a “Transpopinhak — Transportadora de Madeiras”, que liderou por uma década no segmento de transporte de madeiras. Em 1991, ampliou suas atividades ao se tornar sócio-proprietário da “Madeiras Nedri Ltda.”, indústria de beneficiamento que produzia, entre outros produtos, forros para o mercado interno e para exportação, demonstrando visão integrada para o setor madeireiro. No mesmo ano, foi cofundador da “Agropecuária Nedri”, focada no reflorestamento, o que revelava sua preocupação com a sustentabilidade e o desenvolvimento da agropecuária regional.
Sua ligação com a terra o levou a dedicar mais de 15 anos à agricultura e à pecuária, com destaque para o cultivo de feijão, milho e soja, além da criação e engorda de bovinos, atividades que refletiam seu vínculo com o campo e sua capacidade de diversificar negócios. Fora do ambiente rural, Ado era entusiasta da velocidade: praticou motovelocidade entre 1983 e 1984, quando alcançou a terceira colocação no “Circuito Catarinense”. Gostava também de adrenalina nos momentos de lazer, pilotando karts como membro ativo do grupo “Máquinas da Liberdade”, que reunia apaixonados por automobilismo.
Ado cultivava ainda fortes laços com a comunidade, participando ativamente da vida associativa e social de Curitibanos. Foi sócio e ocupou diversos cargos na diretoria do Sindicato Rural de Curitibanos e do Sindicato dos Madeireiros, além de colaborar com o abastecimento de dados e informações do antigo Sistema Nacional de Emprego (SINE) do município na década de 1980, quando funcionava de forma analógica, oferecendo vagas de trabalho para atender à demanda de suas empresas. Pela fé e compromisso religioso, foi festeiro da Capela Nossa Senhora Aparecida em diversas ocasiões, e também associado ao Pinheiro Tênis Clube (PTC), demonstrando engajamento em diferentes esferas da vida local.
No dia 24 de novembro de 2002, Antonio Carlos Popinhaki e sua esposa estavam em casa, no Bairro do Bosque, em Curitibanos, em uma tarde agradável, com o verão se aproximando e prometendo dias quentes. Muitas pessoas aproveitavam para caminhar e se exercitar pela Rua Altino Gonçalves de Farias, quando veículos do Corpo de Bombeiros e uma ambulância passaram em alta velocidade, em direção ao Hospital de Curitibanos, próximo à residência. O fato chamou a atenção do casal: embora o batalhão ficasse nas proximidades e eles estivessem acostumados a ouvir sirenes, a urgência daquela passagem era diferente. Pouco depois, receberam a notícia por uma vizinha: havia ocorrido um grave acidente na BR-470, perto do trevo de Monte Alegre e do entroncamento com a BR-116, onde faleceu seu primo Adrialdo Camargo Popinhak.
Segundo relatos, Adrialdo viajava com um grupo de motociclistas até aquele entroncamento; no retorno a Curitibanos, eles trafegavam em alta velocidade e faziam movimentos em zigue-zague. Em uma das curvas da rodovia, na região conhecida como Roda D’Água, houve uma colisão entre as motos, e Adrialdo caiu. Deslizou até um barranco de pedras de basalto, bateu a cabeça e teve fratura no pescoço, vindo a falecer imediatamente.
A notícia foi recebida com profunda tristeza pela família. Quando foram comunicados, o corpo já estava no hospital para os procedimentos legais e médicos, tendo recebido todo o suporte do vice-prefeito de Curitibanos à época, José Righes. O velório foi realizado na Capela Nossa Senhora Aparecida, no Bairro do Bosque, e o sepultamento aconteceu na tarde do dia seguinte, no Cemitério Público Municipal São Francisco de Assis. Milhares de curitibanenses prestaram sua homenagem, sendo um dos velórios mais memoráveis da história do município.
A partida de Adrialdo Camargo Popinhak, aos 38 anos, interrompeu prematuramente uma vida de intensa dedicação e trabalho, mas seu nome e legado permanecem vivos na região. Sua memória é eternizada na Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Ado Popinhak, instalada no Rio Canoas, entre Curitibanos e Correia Pinto, que entrou em operação no final de 2017 e tem capacidade para gerar energia para milhares de residências locais. Como resume seu filho Brendon: “em sua breve passagem, Ado deixou um legado e proporcionou uma educação baseada no exemplo, na essência e na incansável vontade de progredir, provando que não é a duração da vida que define a grandeza de um pai, mas sim a força da influência e do amor transmitidos”.
Referências para o texto:
Fotografia: acervo do Museu Histórico Antonio Granemann de Souza
Informações genealógicas: FamilySearch. Disponível em: https://www.familysearch.org/pt/tree/person/print-view/KZZD-L8C - Observação: o acesso ao link pode estar temporariamente bloqueado por medidas de segurança do portal; recomenda-se tentar novamente em outro navegador ou modo de navegação anônima.
POPINHAK, Brendon. Postagem na rede social Facebook em 24 de novembro de 2019 por ocasião do aniversário de falecimento do pai.

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