quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Abdy Dacol


Texto de Antonio Carlos Popinhaki


Abdy Dacol foi um cidadão de grande relevância histórica para o município de Curitibanos, em Santa Catarina, tendo sua trajetória pessoal e profissional profundamente entrelaçada com o desenvolvimento da cidade em meados do século XX. Nascido em 14 de julho de 1921, em Curitibanos, ele se consolidou como um antigo funcionário público municipal e uma figura central na vida social e comercial da região, conforme atestam diversos registros oficiais do Arquivo Público do Estado de Santa Catarina. Seus pais se chamavam Heitor Deola Dacol e Ema Cezar do Prado.

Sua atuação profissional no serviço público municipal foi marcada por uma carreira de dedicação. Abdy Dacol exerceu funções de relevância na administração local, tendo sido designado, por exemplo, para o cargo de Agente Fiscal de Tributos em 1970, conforme decreto municipal que o nomeou para essa posição de provimento em comissão. Anos antes, já havia sido admitido para exercer funções nos serviços de ruas, demonstrando uma trajetória ascendente e de múltiplas responsabilidades dentro da estrutura administrativa de Curitibanos. Sua atuação se estendeu até o final de sua vida, sendo posteriormente exonerado em virtude de seu falecimento, quando ocupava o cargo de Diretor Adjunto “B” junto ao Departamento de Obras.

Para além de sua vida funcional, Abdy Dacol foi um ativo participante do desenvolvimento comunitário e econômico de Curitibanos. Em 1950, figurava como um dos cotistas do antigo Cine Teatro Monte Castelo, um importante ponto de encontro cultural e de lazer para a população naquela época. Seu espírito empreendedor também se manifestou em 28 de janeiro de 1962, quando se tornou um dos fundadores da “Companhia Pery de Eletricidade — CIPEL”, subscrevendo ações nominativas no valor de Cr$ 10.000,00 (dez mil cruzeiros). A iniciativa visava atender às necessidades energéticas da região e demonstra seu compromisso com o progresso local, sendo posteriormente integrada às operações da Centrais Elétricas de Santa Catarina (CELESC).

Abdy era conhecido por muitos moradores como “o fiscal da prefeitura”. Durante uma das gestões do prefeito Wilmar Ortigari, a população de cães nas ruas de Curitibanos havia atingido uma quantidade descontrolada, gerando constantes reclamações dos munícipes sobre o comportamento territorialista e os ataques de animais, bem como cobranças por uma atitude do poder público. Como resposta ao problema, sob a supervisão do fiscal Abdy, funcionários da prefeitura distribuíram aos animais alimentos envenenados para promover uma eliminação em massa dos cães no município. Após a expressiva mortandade dos animais, equipes da prefeitura percorreram os bairros a bordo de uma caçamba recolhendo as carcaças espalhadas pelas ruas.

Ainda existem em Curitibanos pessoas que recordam o temperamento forte e irascível de Abdy, uma personalidade geniosa que facilmente entrava em atrito ou discussão por qualquer impasse. No final da década de 1950, durante os julgamentos do Tribunal do Júri realizados no prédio da Câmara Municipal de Vereadores, ele era frequentemente escalado para atuar como advogado rábula na defesa de réus.

Em uma dessas ocasiões, no dia 1.º de junho de 1959, no calor de um debate acirrado durante o julgamento de um acusado, Abdy externou sua indignação de forma marcante: grafou diretamente no púlpito da Câmara a frase “pela última vez como defensor de réus”, acompanhada de sua assinatura e da data.

Além de suas funções públicas e jurídicas, Abdy também manteve forte ligação com a maçonaria local, atuando como um membro engajado da loja situada na Praça França Felipe Abraão, na Rua Alzerino Waldomiro de Almeida em Curitibanos. Visto como uma pessoa inteligente e de vasta cultura, sustentada por leituras frequentes, mantinha uma postura intransigente diante de crendices, fofocas, afrontas e demonstrações de ignorância. Sua formação e perfil técnico faziam com que desempenhasse suas tarefas com notável destreza e rigor, qualidades que o credenciaram a integrar sucessivas gestões municipais como um homem de confiança e de ilibada conduta.

Em sua vida privada, residia em uma casa de madeira situada na Rua Benjamin Constant, localizada quase em frente aos antigos portões da garagem da Prefeitura. Embora sem luxos, o imóvel era mantido com extremo esmero e dedicação. Preservando uma tradição marcante da família Dacol, Abdy cultivava em seu quintal um pomar com árvores frutíferas e parreirais de uva.

Abdy Dacol faleceu em 08 de janeiro de 1994, deixando sua esposa, a Sra. Hermínia Bernardoni Dacol, que recebeu o benefício de pensão por morte do servidor, e seus quatro filhos: Rita Maria, Inácio, Rogério e Ruy Dacol. Seu falecimento representou uma perda significativa para a comunidade curitibanense, que sempre reconheceu sua importância e contribuição.

Como forma de perpetuar seu legado e reconhecer sua inestimável contribuição à cidade, o município de Curitibanos prestou-lhe uma justa e duradoura homenagem. Por meio da Lei Municipal n.º 3.051, de 13 de agosto de 1996, o Ginásio de Esportes localizado no Centro Educacional 11 de Junho, no bairro Nossa Senhora Aparecida, foi denominado “Centro Esportivo Abdy Dacol”. Este espaço, que sedia regularmente eventos esportivos locais e regionais, como os Jogos Escolares de Santa Catarina, mantém vivo o nome de Abdy Dacol, assegurando que sua memória e seu exemplo de dedicação à comunidade sejam lembrados pelas futuras gerações.



Referências para a produção do texto:


Anotações a caneta no antigo púlpito da Câmara Municipal de Vereadores de Curitibanos, peça do acervo do Museu Histórico Antonio Granemann de Souza


Cartório de Registro Civil de Curitibanos: registro de óbito


Curitibanos comemora 143 anos. Redação do Jornal A Semana On-line, disponível em: https://asemanacuritibanos.com.br/curitibanos/curitibanos-comemora-143-anos-1-1625915/ 8 de junho de 2012.


Curitibanos — Decreto n.º 580/1967


Curitibanos — Decreto n.º 669/1970


Curitibanos — Decreto n.º 674/1970


Curitibanos — Decreto n.º 2.260/1994


Curitibanos — Decreto n.º 2.263/1994


Curitibanos — Lei Ordinária Municipal n.º 744/1968


Curitibanos — Lei Ordinária Municipal n.º 3.051/1996


Curitibanos — Portaria de 2 de janeiro de 1971, admitido como “Encarregado dos serviços de rua” na gestão de Hélio Anjos Ortiz


Fotografia da Internet


Informações de Ozires Farias Lemos


Informações de Alain Nascimento Antonio


Santa Catarina — Diário Oficial do Estado de Santa Catarina, ano XXIX, n.º 7040,  datado de 2 de maio de 1962

Nenhum comentário:

Postar um comentário