quinta-feira, 26 de março de 2026

Emil Bernhard Albert Gischkow

Emil Bernhard Albert Gischkow, também conhecido como Emilio Bernardo Alberto Gischkow, nasceu em 12 de agosto de 1859 em Stralsund, na Pomerânia, então território da Prússia, sendo batizado em 12 de setembro do mesmo ano em Stettin. Filho de Johann Carl August Gischkow e Wilhelmine Auguste Therese Merklein, imigrou para o Brasil em algum momento após 1871, integrando as levas de imigrantes europeus que buscavam novas oportunidades no Sul do país. Fixou-se inicialmente na região onde a presença germânica já estava consolidada, estabelecendo uma trajetória multifacetada como engenheiro civil, agente administrativo, jurista e empresário de colonização. Sua atuação profissional começou a ser registrada em 1888 em Florianópolis, onde exerceu a profissão de engenheiro civil, e posteriormente em comarcas como a de Lages, onde serviu como curador de órfãos e promotor público (Memorial do TJRS; Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional).

Em 18 de fevereiro de 1888, casou-se com Maria das Dores Vidal em Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis. Dessa união nasceram sete filhos: Oscar (1890), Palmira (1892), Aristides Vidal (1897), Judith (1898), Floriano (1899-1975), Siegfried Waldemar (1905) e outros descendentes que consolidariam o nome Gischkow na magistratura sul-rio-grandense. A família tornou-se tradicional no Sul do Brasil, com destaque para o filho, desembargador Emílio Alberto Maia Gischkow, que integrou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul e foi entusiasta do ingresso feminino na carreira jurídica, influenciando a trajetória de sua neta, Maria Berenice Dias, primeira juíza do estado (Memorial do TJRS; depoimentos de Maria Berenice Dias).

A maior contribuição histórica de Emílio Gischkow, no entanto, deu-se como colonizador particular em um período de intensa ocupação territorial no planalto catarinense e norte gaúcho. Baseado no Decreto de 28 de junho de 1890, que autorizava concessões para localização de imigrantes em terras devolutas, ele firmou parceria com a Estrada de Ferro São Paulo–Rio Grande (EFSPRG), assentando famílias de colonos em áreas cedidas pelo governo estadual ao longo do traçado ferroviário. Esse processo foi fundamental para o surgimento e crescimento de núcleos que mais tarde se tornariam municípios povoados dentro do território de Curitibanos (Santa Cecília, Lebon Régis e Canoinhas), em Santa Catarina, além de localidades no Rio Grande do Sul (Relatórios do Ministério da Agricultura; Diário Oficial da União; historiografia de Paulo Pinheiro Machado e Nilson Thomé).

Sua atuação pública também ficou registrada na inauguração do edifício da Superintendência de Curitibanos em 20 de agosto de 1901, durante a gestão do superintendente Henrique Paes de Almeida (Sênior). Na ocasião, conforme noticiado pelo jornal “O Dia” em 17 de setembro daquele ano, o engenheiro Emílio Bernardo Alberto Gischkow, descrito como “eloquente orador e ex-promotor público de Lages”, discursou em nome do Partido Republicano Catarinense, exaltando o novo edifício como símbolo do progresso republicano e da Constituição de 1891. Suas palavras vibrantes foram recebidas com entusiasmo pela população presente, que via na construção um marco de desenvolvimento para a vila (O Dia, 17 set. 1901, p. 3; LEMOS, 1977, 1983). Esse episódio evidencia seu papel como articulador entre o poder público, os ideais republicanos e a modernização infraestrutural da região.

Além de sua atuação na colonização e na vida pública, Gischkow exerceu funções jurídicas e administrativas que o consolidaram como uma figura central na estruturação das novas colônias. Ele serviu como um elo entre o Estado e os imigrantes, facilitando a organização burocrática dos núcleos urbanos emergentes e contribuindo para a formação de uma rede de povoamento que moldaria a ocupação do planalto catarinense no final do século XIX e início do século XX. Sua trajetória, inserida no contexto de tensões territoriais que culminariam na Guerra do Contestado (1912-1916), reflete a complexidade do período, marcado pela atuação de colonizadores particulares em meio a disputas fundiárias e à expansão ferroviária (MACHADO; THOMÉ, obras citadas). Emílio Bernardo Alberto Gischkow faleceu no Brasil, deixando um legado que abrange tanto o desenvolvimento material por meio da colonização quanto a formação de uma linhagem familiar de destaque no Judiciário sul-rio-grandense, perpetuando seu nome como sinônimo de pioneirismo e contribuição à história de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.



Referências para o texto:


As informações foram extraídas dos documentos fornecidos e complementadas com dados dos registros de busca.


1. Fontes Primárias e Registros Oficiais


Decreto nº 511, de 28 de junho de 1890


Descrição: Dispositivo legal fundamental do Governo Provisório da República que autorizou concessões para localização de imigrantes em terras devolutas. Serviu de base para as atividades de colonização de Gischkow.


Fonte: Acervo do Diário Oficial da União / Câmara dos Deputados.


Relatórios do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas (fins do séc. XIX)


Descrição: Documentos que detalham os despachos de terras e as concessões para empresas de colonização particular em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.


Período: 1890-1900. Localização: Arquivo Nacional (Rio de Janeiro) / Biblioteca Nacional (Hemeroteca Digital).


Registro de Terras e Editais do Diário Oficial da União (DOU)   Descrição: Editais da época que registram os requerimentos de Emílio Gischkow para medição de terras e assentamento de colonos, especialmente nas áreas influenciadas pela Estrada de Ferro São Paulo–Rio Grande.


Período: 1890-1910.


Registro Civil e Paroquial


Batismo: Emil Bernhard Albert Gischkow. 12 de setembro de 1859. Stettin, Pomerânia, Prússia.


Casamento: Emílio Bernardo Alberto Gischkow e Maria das Dores Vidal. 18 de fevereiro de 1888. Nossa Senhora do Desterro, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.


Óbito:Pesquisa pendente em registros de cartórios do Brasil.


2. Bibliografia (História Regional, Ferrovias e Contestado)


LEMOS, Zélia de Andrade. Curitibanos na história do contestado. Edição do Governo do Estado de Santa Catarina, 1977.


LEMOS, Zélia de Andrade. Curitibanos na história do contestado. 2ª ed. Curitibanos: Impressora Frei Rogério, 1983.


Importância: Fonte primária para a história administrativa de Curitibanos e o contexto da Guerra do Contestado, incluindo a descrição dos prédios públicos e a atuação de figuras locais.


MACHADO, Paulo Pinheiro. Lideranças do Contestado: a formação e a atuação das chefias caboclas (1912-1916). Tese (Doutorado). Campinas: Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), 2001.


MACHADO, Paulo Pinheiro. Lideranças do Contestado: a formação e a atuação das chefias caboclas. Campinas: Editora da Unicamp, 2004.


Importância: Análise aprofundada da estrutura social e política da região do Contestado, onde Gischkow atuou como colonizador.


THOMÉ, Nilson. A Ferrovia do Contestado. (Diversas edições).


Importância: Referência fundamental para entender a atuação da Estrada de Ferro São Paulo–Rio Grande (EFSPRG) e seu impacto na ocupação territorial, contexto no qual Gischkow atuou como agente colonizador.


ESPIG, Márcia Janete. A presença da gesta carolíngia no movimento do Contestado. Canoas: ULBRA, 2002.


ESPIG, Márcia Janete. Personagens do Contestado: os turmeiros da EFSPRG. Pelotas: Editora da UFPel, 2012.


QUEIROZ, Maurício Vinhas de. Messianismo e conflito social: a guerra sertaneja do Contestado (1912-1916). 2. ed. São Paulo: Ática, 1977.


3. Fontes Institucionais e Legado Familiar


Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS)


Fonte: Memorial do TJRS.


Conteúdo: Registros da trajetória da família Gischkow na magistratura gaúcha, incluindo a biografia do Desembargador Emílio Alberto Maia Gischkow (filho de Emil), que foi membro do Tribunal Regional Eleitoral do RS (TRE-RS).


GISCHKOW, Emilio Alberto Maya (Neto). Princípios de direito agrário: desapropriação e reforma agrária. São Paulo: Editora Saraiva, 1988.


GISCHKOW, Emilio Alberto Maya (Neto). Unificação do direito obrigacional e instituto da prescrição. In: Revista de jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. v. 1, n. 1, p. 1-4, 1966.


Importância: Obras de um dos descendentes diretos de Emil Gischkow, demonstrando a consolidação do sobrenome na área jurídica.


4. Periódicos e Hemeroteca


Jornal "O Dia" (Florianópolis) Curitybanos - Correspondência. 17 de setembro de 1901. Anno I, n.º 214, p. 3.


Importância: Documento histórico que relata a inauguração do edifício da Superintendência de Curitibanos em 1901, com o discurso do Eng. Emílio Gischkow em nome do Partido Republicano Catarinense.


Jornal "A Federação" (Porto Alegre) Os Fanáticos. 13 de dezembro de 1914, p. 9.


Importância: Cobertura do ataque à vila de Curitibanos durante a Guerra do Contestado, que resultou na destruição do prédio da Superintendência onde Gischkow havia discursado.


Jornal "República" (Florianópolis) Santa Catarina — Resolução Ordinária Estadual n.º 4496/1895. 15 de janeiro de 1895. Anno VI, n.º 12, p. 1.


Importância: Registro da nomeação de Henrique Paes de Almeida (Sênior) como Superintendente, figura chave na administração de Curitibanos durante o período de Gischkow.


5. Fontes do Museu Histórico Antônio Granemann de Souza


Acervo do Museu


Ata de Inauguração do Museu Histórico Municipal. Nº 1. 7 de maio de 1973.


CIDRAL, Luiz. Sobre o prédio do museu. Texto encontrado no acervo.


Escritos biográficos sobre o Desembargador Edgard de Lima Pedreira. Acervo do Museu.


Importância: Fontes primárias sobre a história do prédio que abriga o museu (antiga sede da Prefeitura) e sobre figuras homenageadas na cidade, contextualizando a época de Gischkow.


Referências Legais do Município de Curitibanos


Lei Ordinária Municipal nº 51. 15 de outubro de 1949. Cria a Biblioteca Pública Municipal Desembargador Edgar Pedreira.


Lei Ordinária Municipal nº 5.978. 19 de dezembro de 2017. Denomina Biblioteca Pública Municipal de Professor David Novak.

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