terça-feira, 14 de abril de 2026

Heitor Blum


Texto de Antonio Carlos Popinhaki


Heitor Blum nasceu em Florianópolis, em 13 de janeiro de 1888, filho de Emílio Blum, fundador e primeiro presidente da Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF) e uma das primeiras lideranças republicanas do estado, e de Maria do Carmo Fragoso Blum. Crescido no seio da elite catarinense, Heitor Blum seguiu a carreira jurídica, tornando-se bacharel em Direito. Sua atuação na magistratura, embora breve, é registrada pela Resolução n.º 2936, de 9 de fevereiro de 1922, quando foi nomeado Juiz de Direito da Comarca de Curitibanos, com base em lista organizada pelo Tribunal de Justiça. Contudo, a nomeação foi tornada sem efeito pela Resolução n.º 3116, de 13 de junho do mesmo ano, por razões que os documentos não especificam.

Paralelamente à carreira jurídica, Blum dedicou-se à política e à administração pública. Foi prefeito (superintendente) de Florianópolis em dois momentos: de 29 de outubro a 4 de dezembro de 1926, por nomeação do governo estadual, e, em seguida, de 1927 a 1930, como prefeito eleito. Sua gestão ocorreu no ocaso da República Velha, período de profundas transformações urbanas e econômicas, tendo como pano de fundo a inauguração da Ponte Hercílio Luz, em 13 de maio de 1926, marco da engenharia e da integração da capital com o continente.

Além da vida pública, Heitor Blum participou ativamente de instituições cívicas e jurídicas. Em 1921, integrou a Comissão de Sindicância da Junta Republicana Catarinense e, no mesmo ano, foi um dos fundadores do Centro Nacionalista Catarinense, entidade que visava salvaguardar os direitos dos brasileiros diante da presença estrangeira no estado. Presidiu a associação em 1926, licenciando-se para assumir a prefeitura. Também foi membro da Comissão Central da Exposição Nacional que organizou as comemorações do centenário da Independência, em 1922, e presidiu o tradicional Clube Concórdia entre 1920 e 1921.

Em 1928, no governo de Adolfo Konder, foi nomeado membro do Conselho Penitenciário de Santa Catarina, órgão consultivo e fiscalizador da execução penal criado pelo Decreto Federal n.º 16.665/1924. Ao lado de figuras como Nereu Ramos e José Arthur Boiteux, Blum integrou um conselho que buscava aplicar os princípios da criminologia positivista então em voga, evidenciando sua inserção nas elites intelectuais e políticas do estado.

O feito mais duradouro de Heitor Blum para a advocacia catarinense, no entanto, ocorreu em 1º de novembro de 1931, quando participou da reunião de fundação do Instituto dos Advogados de Santa Catarina (IASC), realizada no Club 12 de Agosto, em Florianópolis. Convocado pelo advogado Edmundo Accácio Moreira, Blum foi um dos doze signatários da ata de fundação e, na ocasião, apresentou um ofício da Comissão de Legislação Social do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) que o nomeava delegado perante o novo instituto estadual. Essa participação evidencia sua articulação nacional e seu compromisso com a institucionalização da cultura jurídica em Santa Catarina.

Heitor Blum faleceu em Florianópolis em 27 de fevereiro de 1950, aos 62 anos. Seu legado foi reconhecido postumamente: a Lei Municipal n.º 676, de 1965, declarou de utilidade pública a "Caixa de Esmolas aos Indigentes de Florianópolis Heitor Blum", e uma rua no bairro Estreito, na capital, leva seu nome. Como presidente do Centro Nacionalista Catarinense, conferiu o primeiro título de sócio honorário a Adolfo Konder. Sua trajetória multifacetada — como juiz, prefeito, conselheiro penitenciário e fundador do IASC — reflete o entrelaçamento entre as elites jurídicas, políticas e associativas de Santa Catarina nas primeiras décadas do século XX.



Referências para o texto:


Acervo do Museu Histórico Antonio Granemann de Souza de Curitibanos, Santa Catarina. Documento digitalizado - 1906 - Informações do Juiz Heitor Blum.pdf".


Livro Ata 1 (1915 a 1931). Arquivo ACIF 100 anos.


Jornal República, Florianópolis (SC) de 12 de janeiro de 1921


Jornal República, Florianópolis (SC) de 20 de janeiro de 1921


Jornal República, Florianópolis (SC) de 13 de março de 1921

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