sexta-feira, 8 de maio de 2026

Edelvito Ferreira


Texto de Antonio Carlos Popinhaki


Edelvito Ferreira nasceu em 27 de novembro de 1935, em Curitibanos (SC), sendo o primeiro varão e o segundo filho de Victor Ferreira e Felicidade Pereira de Almeida, conhecida como Dona Fica. Seus pais haviam perdido os três primeiros filhos, numa época em que não havia cesarianas na cidade; por isso, o nascimento de Edelvito representou a realização do sonho de ter ao menos um casal de filhos.

Praticamente criado no lombo de um cavalo, Edelvito cresceu entre a fazenda e a cidade, tendo como principais paixões os animais e o campo. A agricultura restringia-se à subsistência; sua verdadeira vocação era a lida campeira. Tornou-se exímio ginete, laçador, castrador e carneador de primeira. Participou das últimas tropeiradas, conduzindo gado até o Rio Grande do Sul, muitas vezes atravessando o Rio Pelotas.

Os estudos ficaram pelo ginásio, pouco mais, pois a vocação o chamava para o campo. Mas sua educação de vida foi vasta: leal, prestativo, nunca deixava ninguém na mão. Por onde passava, de bombacha, era saudado com sorrisos e histórias. Tinha o dom de perguntar às pessoas de onde vinham e de que família eram, quase sempre conhecendo alguém.

Grande pé de valsa, foi nas bailantas de sítio que encontrou sua prenda: Rosalina Matilde Sebbem, com quem se casou em 17 de abril de 1956. A união foi fértil em amor e filhos, oito ao todo: Rosane, Victor José, Edelvito Ferreira Júnior, César Germano, Yara Maria, Elisiane Maria (a quem chamava carinhosamente de Joaninha), Celso André e Diclea Maria. A alegria da casa se estendeu a 19 netos e vários bisnetos.

Edelvito participou ativamente do Sindicato Rural de Curitibanos. Em 1974, junto com o presidente Ivandel Adonis Macedo, viajou a Rosário do Sul (RS) para um primeiro contato com Pedro Paulo, do Guará Remates, que se tornaria grande amigo. Dessa parceria nasceu a I Feira do Terneiro de Curitibanos, evento pelo qual foi homenageado em maio de 2013, à frente do sindicato na pessoa do Dr. Gilmar Kruker. Como pisteiro, era inesquecível: olhar atento no gado e na banca, berrando os lances.

Amigo leal, tinha a mesa sempre farta, não só para a família. Ninguém passava fome ou frio perto dele. Foi patrão e capataz do Rodeio da Amizade, ao lado de cunhados, primos de coração, vizinhos e amigos, acumulando troféus que atestam aqueles bons tempos.

Edelvito Ferreira faleceu em 30 de julho de 2013, vítima de um coração “tão grande que não cabia mais no peito”. Deixou exemplos de honradez, simplicidade, humildade, humanidade e fraternidade. Um pequeno grande homem, cuja trajetória foi publicada no jornal A Semana em 9 de agosto de 2013, com a participação especial de seu filho, o Dr. Victor José Ferreira.


Informações para o texto

Acervo do Museu Histórico Antonio Granemann de Souza de Curitibanos, Santa Catarina. Documento digitalizado - 2002 - Informações dos pais, Victor Ferreira e Felicidade Pereira de Almeida.pdf". 


Fotografia: Acervo do Museu Histórico Antonio Granemann de Souza


PELLIZZARO, Dhébora Costa. Um pequeno grande homem. Coluna tradicionalismo - Dhébora. 9 de agosto de 2013. On-line, disponível em: https://asemanacuritibanos.com.br/coluna-tradicionalismo-dhebora/um-pequeno-grande-homem-1-1612730/

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