terça-feira, 28 de julho de 2026

Irineu Francisco Juttel Filho


Texto de Antonio Carlos Popinhaki


Irineu Francisco Juttel Filho, carinhosamente conhecido como “Irineu do BESC”, nasceu em 15 de novembro de 1948, na cidade de Ituporanga (SC), fruto do casamento de Irineu Francisco Juttel e Maria Joenk Juttel. Oitavo de quatorze irmãos, sua infância foi marcada por uma energia transbordante e um espírito brincalhão. As histórias que contava, muitas vezes regadas a “reza a lenda”, o descrevem como um menino levado, “parrudo” e que adorava uma boa briga na escola, a ponto de, segundo a mitologia familiar, pagarem para ele defender colegas. Sua infância foi de muitas brincadeiras, mas também de uma perda profunda: aos oito anos, a morte do irmão Nilo Wiro, com quem tinha grande semelhança, deixou marcas em sua alma.

Sua adolescência em Ituporanga foi marcada pela prática esportiva, sendo o futebol sua grande paixão. Ele também jogou voleibol por sua cidade natal nos Jogos Abertos de Santa Catarina em 1970, como levantador, além da prática de esportes, também fez parte da Juventude Franciscana — JUFRA. Apesar de sua habilidade com os esportes, a vida acadêmica não era seu forte. No antigo Colégio Santo Estêvão que era uma instituição de ensino tradicional e histórica na cidade de Ituporanga, SC, e que atualmente se chama Colégio Galileu, duas de suas irmãs eram professoras, os familiares dizem que Irineu afirmava que um caderno de 20 folhas dele, durava o ano inteiro. Mais tarde, iniciou o Curso de Técnico em Contabilidade, concomitante com o Ensino Médio, mas não concluiu, apontando o inglês como a sua maior dificuldade.

Sua vida profissional começou no armazém de Oswaldo Horongoso, onde iniciou como ajudante de descarga de caminhões até migrar para o escritório. Após servir o Exército, sua habilidade no futebol abriu as portas para o Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina S.A. — INCO (vendido e incorporado pelo Banco Brasileiro de Descontos — BRADESCO), onde ficou por cerca de um ano. Foi então que ingressou no Banco do Estado de Santa Catarina — BESC, primeiro em Rio do Sul e depois em Curitibanos. Foi no BESC que ele construiu sua carreira, atuando por muitos anos como Chefe da Tesouraria. Sua dedicação e competência lhe renderam oportunidades de promoção, mas ele as recusou para não ser transferido de Curitibanos, onde havia construído sua vida. Uma curiosidade de sua trajetória profissional foi ter conquistado um 3.º lugar na Rede BESC jogando dominó, o que ele carregava como um reconhecimento.

A vida pessoal de Irineu foi marcada por um grande amor. Aos 18 anos, no ano de 1966, conheceu Leonilda Bilck, curitibanense que tinha 15 anos, em Ituporanga, onde ela ministrou um curso de bordado de fita. A conexão foi imediata. A história de como se conheceram é um conto de fadas: Leonilda foi apresentada a Irineu por seus primos, que estudavam com ele, e o curso de bordado de fita acontecia na casa da madrinha dele. O namoro só foi oficializado após ela completar 18 anos, e casaram-se em 21 de outubro de 1972, na Igreja Matriz Imaculada Conceição de Curitibanos. Juntos, tiveram dois filhos, Leila Denise Juttel Hack e Raul Gustavo Juttel. Irineu era um homem de família, companheiro, leal e verdadeiro, que primava por atender às necessidades de sua esposa. O casal, temente a Deus, era muito ativo em ações sociais, colaborando com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais — APAE e o Asilo de Curitibanos, muitas vezes como membros da diretoria.

Após se aposentar do BESC no dia em que completou 25 anos de serviço, Irineu, ao lado de Leonilda, montou o escritório “Digidados”. A empresa se especializou em digitação de trabalhos e confecção de cópias, oferecendo a primeira oportunidade profissional para muitos jovens. Juntos, aprenderam a fazer encadernações costuradas, um ofício que atendeu Curitibanos e cidades vizinhas por muitos anos. Seu legado, no entanto, não se resume a isso. Irineu é lembrado como um “vascaíno doente”, que vibrava com cada título do Vasco da Gama e gostava de assistir a esportes com os filhos. Ele amava a simplicidade: viajar em família, ir ao sítio, pescar com os netos André Gustavo, Joseph, Felipe Gustavo e Johannah, e tomar café conversando com os funcionários. Tinha o hábito de gravar ditos populares, que usava para cada situação da vida.

Irineu Francisco Juttel Filho faleceu em 20 de junho de 2026, aos 77 anos, num dos leitos da Fundação Hospitalar de Curitibanos. Seu falecimento foi sentido por toda a comunidade, que prestou homenagens, incluindo uma moção de pesar na Câmara de Vereadores. Foi velado e após, sepultado no Cemitério Público Municipal São Francisco de Assis, em Curitibanos. Sua vida foi um exemplo de amor à família, dedicação ao trabalho e simplicidade, sempre guiada pelos seus valores. Como dizem aqueles que o conheceram, seu exemplo é a sua melhor mensagem.



Referências para o texto:


Com base nas histórias e memórias de sua família e amigos. 


Curitibanos — Requerimento n.º 158.


Fotografia do acervo da família.

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